sexta-feira, 31 de maio de 2013



© rafa, paris, 2013





(...) Pudesse eu ser tu
E em tua saudade ser a minha própria espera.

Mas eu deito-me em teu leito
Quando apenas queria dormir em ti.

...
E sonho-te
Quando ansiava ser um sonho teu.

(...)

Mia Couto in "idades cidades divindades"




segunda-feira, 8 de abril de 2013




© ssobrado, lisboa, 2013





(...) ele sabe para onde vai. cada rua. ele caminha.
nas ruas distantes que tem dentro de si.
eu vejo perder-se. (...)

José Luís Peixoto, in 'A Casa, a Escuridão'






sábado, 2 de março de 2013



© rafa, paris, 2013
 
 
Para onde quer que fores, vai todo, leva junto teu coração.


 Confúcio
 
 
 




 
 
 
 

sábado, 16 de fevereiro de 2013


 
© rafa, samouco, 2011
 


Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.

Fernando Pessoa


sábado, 26 de janeiro de 2013


© ssobrado, porto, 2012



Só assim entenderemos que da «discussão» quase nunca nasça a «luz», porque a luz que nascer é normalmente a de duas pedras que se chocam. Da discussão não nasce a luz, porque a luz a nascer seria a que iluminasse a obscuridade de nós, a profundeza das nossas sombras profundas.

Vergílio Ferreira, in 'Invocação ao Meu Corpo'






sábado, 19 de janeiro de 2013


© rafa, belém, 2012



"O telefone soluça como um bebé e, dentro de mim, o teu nome. Vozes de crianças por trás e tudo de súbito fácil, perfeito. Não sei bem o que oiço. Limito-me a afogar-me em ti, como no mar."

António Lobo Antunes




segunda-feira, 7 de janeiro de 2013


© ssobrado, porto, 2012




Em todas as almas há coisas secretas cujo segredo é guardado até à morte delas. E são guardadas, mesmo nos momentos mais sinceros, quando nos abismos nos expomos, todos doloridos, num lance de angústia, em face dos amigos mais queridos - porque as palavras que as poderiam traduzir seriam ridículas, mesquinhas, incompreensíveis ao mais perspicaz. Estas coisas são materialmente impossíveis de serem ditas. A própria Natureza as encerrou - não permitindo que a garganta humana pudesse arranjar sons para as exprimir - apenas sons para as caricaturar. E como essas ideias-entranha são as coisas que mais estimamos, falta-nos sempre a coragem de as caricaturar. Daqui os «isolados» que todos nós, os homens, somos. Duas almas que se compreendam inteiramente, que se conheçam, que saibam mutuamente tudo quanto nelas vive - não existem. Nem poderiam existir. No dia em que se compreendessem totalmente - ó ideal dos amorosos! - eu tenho a certeza que se fundiriam numa só. E os corpos morreriam. 

Mário de Sá-Carneiro, in Cartas a Fernando Pessoa





(parabéns, minha amiga)